Pois é, de volta ao Brasil...
É até meio
redundante dizer que estes 3 meses no Japão passaram rápido, porque a sensação é sempre a mesma. O estranho é que, ao mesmo tempo, sinto que consegui fazer
muita,
muita coisa nesse espaço de tempo; talvez a minha tentativa de fazer algo diferente todos os dias tenha sido bem sucedida.
Dos lugares que eu havia planejado visitar, não sobrou
sequer um; pelo contrário, conheci lugares que até então nunca tinha ouvido falar!
Mas regressando ao Brasil, me dei conta de algo que, no fundo, eu já sabia: mais do que dos lugares, das paisagens, dos produtos e tudo mais, sinto mais falta das
pessoas. Não exatamente de pessoas específicas (embora tenha conhecido pessoas
muito boas, claro), mas da
essência do povo japonês que o torna tão
único.
Já falei sobre isso algumas vezes, mas só estando lá é possível entender que
não é exagero quando alguém afirma que o Japão, em termos de educação e respeito, continua sendo o
número 1 do planeta. Não que eu conheça todos os outros países e culturas (
longe disso, aliás), mas realmente
não consigo imaginar uma sociedade que valorize a relação interpessoal tanto quanto a japonesa.
Virou até
clichê dizer que os japoneses são
frios e
impessoais, mas eu, particularmente, discordo. Durante este período que estive sob os cuidados da Jica, sempre fui
muito bem recebido por todos, com
saudações e
sorrisos calorosos. O fato é que tudo isto acontece literalmente
à distância, sem qualquer tipo de contato físico, e geralmente de uma maneira bastante
formal. Quem sempre viveu dentro dos costumes brasileiros pode interpretar isto como
frieza, mas eu
não vejo assim. Trata-se de uma diferença cultural entre dois
extremos: o
Japão da formalidade e o
Brasil da informalidade.
É verdade que ambos
exageram, em determinadas situações. Quem já presenciou uma típica
troca de cartões de visita (os chamados 名刺、めいし) entre os japoneses, deve ter sentido isto, mas o mesmo vale para um garçom que chega jogando o cardápio na mesa dizendo
"E aí, galeraaa?!". Para quem se acostumou com 『
いらっしゃいませ』, 『
大変(たいへん)お待たせいたしました』, 『
ごゆっくりどうぞ』 etc., isto soa como uma
música sertaneja ofensa.
Porém, como tudo isso é resultado de uma longa trajetória de cada país, fica até
sem sentido um brasileiro
exigir determinado comportamento de um japonês e vice-versa. Ou seja, por mais que o Brasil venha a
crescer tudo o que se espera, e futuramente venha a ser uma nação
rica (algo que eu não consigo imaginar, mas...), muitas coisas vão permanecer como são, pois a
essência do povo brasileiro vai continuar sendo a mesma.
Mas pensando bem, talvez a maioria dos brasileiros já esteja
tão acostumada com a
falta de educação e
cordialidade de seu país, que nem se dá conta disso. Quem sabe se passasse um tempo imerso na sociedade nipônica, iria perceber que
é possível viver de maneira mais
harmoniosa, pensando um pouco no
bem-estar alheio, respeitando as
regras básicas da sociedade, valorizando a
educação etc.
Enfim... é assim que me sinto ao voltar para a terra natal. Triste? É...
Claro que o Brasil tem suas qualidades, mas no momento só consigo pensar na
educação e
respeito com que tive o
privilégio de conviver mais uma vez, e
o quanto isso vai me fazer falta.