quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Curiosidade - Onoda Hirō, um tenente-samurai

Escutei essa história um tanto quanto surpreendente em um podcast do (ótimo) site HowStuffWorks, e achei que vale a pena compartilhá-la com meus leitores.

Diz respeito ao Segundo-tenente Onoda Hirō, 小野田 寛郎, oficial do então Exército Imperial Japonês, que na data de 26 de dezembro de 1944 foi enviado para as Ilhas Lubang, nas Filipinas, com a missão de conter o avanço dos Aliados pelo Pacífico a qualquer custo.

Porém, com poucos soldados e armamentos, os japoneses foram praticamente dizimados quando os tropas americanas invadiram a ilha, no dia 28 de fevereiro do ano seguinte. Tamanha foi a disparidade de poder de fogo que todos foram mortos ou capturados, com exceção de Onoda e outros três.

Se você acha que eles iniciaram uma batalha cinematográfica e mataram todos os americanos com pedradas, bom... só se fosse o Chuck Norris num filme do Michael Bay.

O que aconteceu de fato foi o seguinte: Onoda ordenou que subissem uma colina, para que se escondessem no meio de uma floresta.

Foi o que fizeram.

E lá permaneceram escondidos.

Como a ilha fora tomada pelos americanos, os quatro sabiam que se saíssem da floresta, seriam capturados. E ser capturado ia contra o código de conduta do Exército Imperial, que em grande parte se assemelhava ao código dos samurais, o 武士道.

Qual foi a decisão deles, então?

Continuar escondidos.

E assim se passou um dia.

Uma semana.

Um mês.

Um ano.

Opa, mas a guerra iria acabar no dia 15 de agosto daquele ano, ou seja, menos de meio ano depois que eles se refugiaram na floresta!

Pois é. No dia em que o Japão se rendeu, ex-oficiais de guerra foram até o local, na tentativa de convencê-los de que a guerra havia acabado, mas sem sucesso. Até jogaram folhetos na floresta, com a mensagem de que não precisavam mais se esconder, mas Onoda e cia. tinham plena convicção de que aquilo não passava de uma armadilha americana.

Resultado?

Um dos outros três se rendeu em 1950, outro foi morto por tropas que vasculhavam as montanhas, em 1954, e o terceiro morreu baleado pela polícia filipina, em 1972.

Onoda, que ficou sozinho, conseguiu ser convencido quanto ao fim da guerra somente em 1974, com quase 30 anos de atraso!

Pensem: os Beatles se formaram, conquistaram o mundo e se separaram, e Onoda não viu nada disso.

O homem foi à Lua, e ele também não viu.

Tudo isso por conta da filosofia imposta pelos militares do Império Japonês. É realmente impressionante até que ponto a disciplina japonesa era, e em alguns casos ainda é, capaz de chegar.

Onoda ainda está vivo, aos 87 anos. A minha pergunta é se ele não se arrepende de ter perdido três décadas de sua vida, vivendo como um guerrilheiro no meio do mato.

É capaz que ele diga que não, afinal fez uma demonstração épica de honra e perseverança, mesmo que beirando a insanidade.

Um comentário:

Carol disse...

To boba! xD ... heheh