quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Última lembrança de Tóquio - Lost in Translation

Depois de mais um hiato no blog, cá estou de volta.

Mas percebi que estou meio sem inspiração... É engraçado, pois ao mesmo tempo que sei que existe uma infinidade de conteúdo para ser abordado, neste momento não me vem algo que me empolgue e me faça querer fazer um post.

Então decidi escrever sobre uma coisa que não está diretamente relacionada ao aprendizado do idioma em si, mas que queria escrever há certo tempo.

Quem acompanha o blog desde antes da minha viagem, em maio, deve se lembrar dos posts intitulados "Lost in Translation", certo? Pois é, eu tirei este título do filme homônimo, de 2003, dirigido pela Sofia Coppolla e estrelado por Bill Murray e a sempre linda e maravilhosa Scarlett Johansson (ah sim, no Brasil, ele se chama "Encontros e Desencontros").

Eu fui assistir ao filme no cinema, 7 anos atrás, e desde então, devo ter reassistido umas 5 vezes. Isso, cinco vezes mesmo, sendo uma delas no mês retrasado, enquanto estava no Japão.

Mas por que gosto tanto desse filme? Bom, há dois... ou três motivos claros: o filme é muito bom, pois consegue ser romântico sem ser açucarado, e ao mesmo tempo, engraçado; é o filme que projetou a Scarlett - então com 19 anos - ao estrelato, e pra variar ela esteve exuberante; e o principal: se passa em...?

Sim, em Tōkyō.

Eu sempre fui meio apaixonado pela capital japonesa, mesmo antes de ir para o Japão pela primeira vez, em 1993. Talvez por influência do eterno super-herói Jaspion, de quem era grande fã (como muita gente da minha geração). Sempre que via as imagens da metrópole, ainda nos anos 80, sentia uma enorme vontade de conhecê-la (ainda bem que ninguém me disse que só em 2010 isso iria se concretizar!).

Durante os 5 anos em que vivi na região de Hiroshima, não pude viajar pra antiga cidade de Edo. Por quê? Simples, porque era caro, e eu era um pré-adolescente sem renda própria. O jeito foi conter a vontade de conhecer Shibuya, Shinjuku, Ginza etc.

Muito tempo depois disso, quando assisti ao filme pela primeira vez, fiquei novamente encantado com a cidade, com os seus milhões de pessoas, suas luzes, sua barulheira e tudo mais. Foi assim que me determinei a voltar para o Japão e matar a antiga vontade de conhecer sua capital.

É, foram-se anos até que isso realmente acontecesse, mas quando soube da minha aprovação da bolsa de estágio, de imediato tracei alguns objetivos, e talvez o maior deles fosse...

...conhecer o Park Hyatt Tōkyō, onde se passam várias cenas do filme. Mais precisamente, queria de qualquer jeito visitar o New York Bar, que fica no 52º andar do luxuoso hotel 5 estrelas.

E foi engraçado, pois desde o começo do período do estágio, em maio deste ano, enchi o saco dos meus colegas bolsistas, pra que me acompanhassem nesse passeio, mas por incrível que pareça, nenhum deles havia assistido ao filme! Além disso, ninguém estava disposto a gastar uma pequena fortuna só pra me acompanhar a matar minha curiosidade.

O tempo foi passando, e quando percebi, já era final de julho, faltando pouco tempo para voltar ao Brasil! Começou a bater um desespero, porque sabia que, se eu não fosse, certamente iria me arrepender.

Acabei deixando para a última semana, no começo de agosto, quando me dei um ultimato: "Pode ser até sozinho, mas eu vou". E foi exatamente isso o que aconteceu! Na véspera de vir embora, sem sequer ter arrumado as malas, peguei o trem e parti rumo a Shinjuku, sozinho.

Recomendo que, neste momento, aperte play no clipe abaixo, é a música de encerramento do filme, "Just Like Honey", da banda escocesa The Jesus & Mary Chain:



Bom, continuando, cheguei ao hotel em uma van fretada pelo próprio hotel: ela recolhe clientes na frente da estação e deixa na entrada do Park Hyatt, sem cobrar absolutamente nada!

Eis a "cara" dele, por fora:



Entrei meio desnorteado, pra ser sincero. O lugar é tão bonito que, de certo modo, chega a ser intimidante. Confiram abaixo:

As fotos parecem de um portfólio, eu sei, mas fui eu mesmo que tirei!

Sem demorar, até porque eu não tinha muito tempo disponível, procurei pelo New York Bar, e logo descobri que tinha que subir dois lances de elevador. E não por acaso, um deles parecia ter só estrangeiros (inclusive eu, mas eu passo "camuflado").

Ok, e assim que cheguei ao topo do prédio, me deparo com a seguinte vista:

Que é isso, não? É pra lá de deslumbrante! Assim que tirei esta foto, pensei comigo: "Já valeu a pena ter vindo".

Logo depois, uma hostess me perguntou se eu estava sozinho, me avisou da "pequena" taxa de couvert de ¥2200 (da qual eu já tinha ciência) e me conduziu ao balcão, ao célebre balcão, do tão desejado (pelo menos por mim) New York Bar.

Eu mal conseguia acreditar que finalmente estava ali, no mesmo lugar em que a Scarlett Johansson esteve! Estava sentado no mesmo balcão onde ela e Bill Murray contracenaram!

...o ruim de estar sozinho, nessas horas, é não poder expressar os sentimentos. Eu podia estar eufórico por dentro, mas considerando o ambiente, tinha que manter a sobriedade!

Mas nem por isso deixei de tirar algumas fotos:

É, bem que eu queria que fosse a mesma banda do filme, que toca "Parsley, Sage, Rosemary and Thyme", de Simon & Garfunkel. Mas o quarteto era muito bom, e fui "presenteado" com "What a Wonderful World", assim que cheguei.

Abri o cardápio e procurei pela bebida feita em homenagem ao filme (sim, até isso eu já sabia), mas não encontrei. Olhei de novo com mais atenção e encontrei:


"L.I.T."


Hah, nada mais lógico: "Lost In Translation". Apesar do precinho salgado, de ¥1700, pedi sem hesitar. E não me arrependi; apesar de ser mais voltado para o paladar feminino, achei muito bom.


Este foi o momento em que me decepcionei ao descobrir que não existia conexão wi-fi. Mas nada que estragasse este meu passeio; posso dizer que estava quase delirando naquele ambiente.

Enquanto estava lá, digitei meu pensamento: "Parece que ninguém entendeu por que eu queria tanto conhecer este lugar", e de fato, continuo sentindo que poucas pessoas entendem. Mas para mim é muito simples: é pura questão de paixão.

Eu sou uma pessoa que detesta muitas coisas (muitas coisas mesmo!), mas tenho uma paixão enorme por outras. Filmes e música, não necessariamente nesta ordem, são dois exemplos. Por isso, procuro aproveitar ao máximo os raros momentos em que estes se unem de maneira tão harmônica como em Lost in Translation, mesmo que isso resulte em passar a noite em claro arrumando a mala até às 7 da manhã, para depois encarar uma viagem de 6 voos e mais de 30 horas!

8 comentários:

Carla disse...

Adoro esse filme também!
O hotel, pelo menos para mim, não parecia tão bonito no filme. É lindo!

gabriel disse...

ainda não assisti o filme, o qual já tinha ouvido falar mtui bem, mas depois dessa narração emocionante creio que o farei em breve! uma pena não ser tão fácil assim ir pra Tóquio =/

ótimo post!

Rafaela Gimenes disse...

Acho o filme um pouco triste, bom, não sei. E o filme me impressionou na primeira vez que vi. Mentira, Tóquio me impressionou muito. Justamente por aquilo que você disse: gente, barulho, altos edifícios. O bar e a banda do filme são realmente lindos. As fotos ficaram ótimas. E a vista é realmente impressionante, as luzes.

Luma Perrete disse...

Nossa, as fotos estão lindas! Aproveitou mesmo a câmera, hein?

Eu entendo esse seu sentimento. Quando fui pros Estados Unidos ia passando por vários lugares que eu só tinha visto na tv e que eu morria de vontade de conhecer. É uma sensação meio "nossa, isso aqui existe mesmo!".

Ainda não vi esse filme. Está na minha enorme lista de filmes para assistir.

Carol disse...

Confesso que nunca assisti esse filme, apesar conhecer comentários positivos. Acho que agora a curiosidade não vai permitir que eu continue sem assistir... ^^
Fico feliz por vc ter ido lá, mesmo sozinho, porque com certeza se não fosse acabaria se arrependendo.
Ainda conseguiu essas fotos ótimas!!!

Aru disse...

Tive oportunidade de ver, mas não fiquei na frente da tv. (não me crucifique!!)Mas vi várias cenas. Verei de novo sob seu ponto de vista!

Lucky disse...

eee Que bom que conseguiu ir =D Não ficou falando sozinho o tempo todo? eu teria ficado ahahaha! E as fotos estão PRO! Quanto ao filme fiquei curiosa, zehi mitai desu! xD
Post bem legal! *_*
bye bye!

luis disse...

tive a mesma sensação quando fui pela primeira vez ao kyomizudera em kyoto. ninguém da minha família entendia a empolgação em conhecer aquele lugar 'antigo', 'velho', na opinião deles. poder conhecer um lugar que vc admira e constatar que aquela beleza é verdadeira é indescritível.