segunda-feira, 13 de abril de 2009

Kanten (観点、かんてん)- Ponto de vista - Mestre Kurosawa

Final de semana praticamente sem posts.

Hmm... como que pretendo aumentar o número de acessos do meu blog sem conteúdo novo?
Tsc, tsc...

Então hoje decidi falar sobre um filme que muito provavelmente a maioria dos meus leitores não assistiu. Mas quero que assistam.

Estou me referindo à última obra do mestre Kurosawa, まだだよ /ma.da.da.'yo/. Felizmente o título em português não recebeu nenhuma tradução esdrúxula, e permanece Madadayo.

Foi lançado em 1993, 5 anos antes do falecimento do maior diretor da história japonesa. Para quem acha que estou exagerando nos elogios, eis o comentário feito na revista Veja, edição de 8 de abril, página 127:

"...é impossível adivinhar que lugar o Japão teria no mapa cultural do século XX sem Kurosawa."

Sem dúvidas.

Desde os anos 50, Kurosawa influenciou (e continua influenciando, claro) uma legião de diretores hollywoodianos, entre eles os conhecidíssimos Steven Spielberg e George Lucas. O pai da saga Star Wars, em especial, expressou sua admiração pelo colega japonês de maneira bem explícita, incorporando vários elementos orientais à sua obra.

Aqui um exemplo que compara o filme A Fortaleza Escondida (隠(かく)し砦(とりで)の三悪人(さんあくにん)) com cenas de Su.tā_Wō.zu (sim, é assim que é pronunciado no Japão).



Aliás, sabe de onde George Lucas tirou o nome Jedi? Da palavra Jidaigeki (時代劇), que são as peças de época, geralmente da era Edo.

Mas voltando ao Madadayo, trata da história de um professor aposentado, que pela sabedoria e senso de humor conquistou a admiração e respeito de duas gerações de alunos, sendo que a primeira já está na faixa dos 40 anos.

A direção do mestre dispensa comentários. O cenário pós-guerra, a fotografia, o roteiro... tudo de altíssimo nível.

É interessante observar que alguns aspectos da cultura permanecem iguais ou mudaram muito pouco, e olha que estou falando de comportamentos dos anos 40!

Eu já havia assistido a este filme enquanto morava no Japão, mas naquela ocasião não percebi em alguns detalhes curiosos.

Um deles é o seguinte: na primeira festa de aniversário do sensei, logo após o término da 2ª guerra, está escrito o kanji numa faixa em homenagem. Porém, 16 anos depois, na 17ª festa, este mesmo kanji se transformou em .

O que acontece é que, nesse meio tempo, surgiu na China a simplificação dos ideogramas. Atualmente, o chinês tradicional ainda utiliza 會, mas no simplificado e no japonês, apenas 会.

Não digo que Madadayo está entre os melhores filmes de Kurosawa, afinal é bem diferente do gênero que o consagrou (por favor não me pergunte qual!). Mas com certeza é um filme muito bonito, tanto de ponto de vista cultural quanto cinematográfico.

Recomendo a todos, principalmente àqueles que assistiram Sonhos e se perderam no meio das viagens surrealistas.

2 comentários:

Nanna - Konayuki disse...

soh pra registrar que passei por aki =D
kissus!!!!

Satoshi disse...

Mais um adorador do Kurosawa, é?

Infelizmente ainda não consegui minha tão sonhada coleção completa dos trabalhos dele.