quarta-feira, 11 de março de 2009

Iniciantes - Pronúncias; parte 2

Ainda sobre pronúncias, vamos tentar padronizar algumas coisas por aqui?

Bom, conforme vimos até agora, antes que uma palavra seja transcrita do japonês para o rōmaji, é desejável que alguns pontos relacionados à pronúncia sejam comentados.

Vamos ver mais alguns?

Comecemos com a letra G. Em rōmaji, o G sempre tem som de G, nunca de J. Por exemplo, o estado de Gifu é pronunciado "Guífu". O filme do mestre Kurosawa, Kagemusha, é lido "Kaguemusha" e assim por diante.

Letra R: sempre tem som de R, como em coroa, e nunca de RR, mesmo que inicie uma palavra. Exemplo: o lendário filme do mestre Kurosawa, Ran, não se pronuncia ""!

Já o H, quando inicia uma palavra, é sempre pronunciado. Isto é simples, pois que eu me lembre, nunca escutei alguém falando "Comprei uma moto da ONDA!".

CHI: tem som de "TI", como em "gatilho". Um bom exemplo é a obra-prima do mestre Kurosawa, Shichinin no Samurai!


Tá, mas e quanto à entonação?

Aí que eu gostaria de padronizar algumas coisas. Pensei em utilizar algo parecido com os símbolos de pronúncia, mas iria complicar muito.

Então, minha idéia é incorporar alguns elementos deste método, como:

  • Escrita em itálico
  • /Barras/ para indicar que se trata da pronúncia
  • Ponto entre "sí.la.bas"
  • Apóstrofe antes da "'sílaba 'tônica"
  • Underline_para_indicar_espaço (ou_hiato)

Exemplo em português:

  • computador /com.pu.ta.'dor/

Então, os exemplos supracitados ficariam da seguinte maneira:

  • /'gi.fu/
  • /ka.ge.mu.'sha/
  • /ran/
  • /'hon.da/
  • /shi.'chi_nin_no_sa.mu.'rai/

Claro que, conforme a necessidade, este modelo pode ser alterado, mas achei melhor estabelecer um padrão antes de entrar em outras questões da pronúncia!


P.S. Quis passar a mensagem de maneira bem sutil que sou fã do Mestre Kurosawa, mas talvez tenha sido sutil demais!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Kanten (観点、かんてん)- Ponto de vista - Four boys from Liverpool

29 de Junho de 1966, 3:39 AM.

Um avião aterrissa no Aeroporto de Haneda, com horas de atraso devido a ciclones tropicais. A bordo estão quatro rapazes ingleses vestindo kimonos, sendo saudados pela imprensa local e milhares de fãs que, apesar do mau tempo, esperaram pacientemente até a madrugada.

De quem será que estou falando, hein?

Sim, a descrição acima é da chegada dos Beatles ao Japão, 43 anos atrás. Esta seria a primeira e última vez que os Fab Four pisariam juntos em solo japonês (estiveram várias vezes sozinhos, tanto é que o Paul chegou a ser preso por posse de maconha), e não é difícil imaginar a magnitude do impacto causado por esta visita.

E existem alguns fatos curiosos a respeito.

Por exemplo, a apresentação dos besouros foi no famoso Budōkan. O que há de curioso nisto é que o Budōkan, em inglês, é também chamado de Martial Arts Hall, e até então havia sido usado unicamente para tal fim! Por isto, a idéia de realizar um show de rock em um local quase sagrado despertou a ira dos mais conservadores! Tem cabimento?!

Diz-se que, em resposta a esta crítica, Paul comentou:

"Por exemplo, se um grupo de dança japonesa for se apresentar na Inglaterra, ninguém vai acusá-lo de profanar a tradição inglesa! Nós só viemos tocar música... E nós também já somos, de certa maneira, uma tradição!"

"Música é melhor do que artes marciais, não é?", acrescentou John.

Concordo, John.

Outro fato interessante é que, se os Beatles não tivessem aberto as portas do Budōkan para a música, provavelmente ele estaria até hoje abrigando apenas eventos de luta, dizem!

De fato, após a visita deles, muitos e muitos artistas como Cheap Trick, Mr.Big e um tal de Dylan lançaram discos Live at Budōkan.

São coisas assim que me fazem achar que nasci na época errada. Talvez até no país errado?

Hm... não sei se gostaria de ter nascido no Japão, mas se isto tivesse me deixado assistir à maior banda da história do rock ao vivo...

:)

Iniciantes - Pronúncias; parte 1

Continuando o tópico sobre transliteração, vamos dar uma olhada em mais alguns detalhes.

O idioma japonês tem como uma das suas principais características a baixa flexibilidade quanto à pronúncia, ou seja, não possui alguns fonemas comuns em outras línguas. Quem já escutou um autêntico nipônico falando (ou tentando falar) inglês (ou qualquer língua ocidental... ou oriental... na verdade, acho que qualquer uma!) sabe do que estou falando.

Agora quem não sabe, confira.

Eu mesmo tive um professor de inglês horrível no Japão. Coitado, mal sabe que até hoje falo mal dele...

Mas enfim, vamos ver quais são esses sons ausentes no japonês:

  • J
    O nosso som de J, como em jacaré, não existe. Toda vez que você vir uma palavra japonesa com J, lembre-se que ele tem o som de nosso D. Isto quer dizer que um dos ídolos da minha geração, JIBAN, se chamava, na verdade, "Diban".
  • L
    Não existe o som de L, um dos fatores que mais contribuem à dificuldade deles em aprender outros idiomas. Substituído por R.
  • Si, Ci
    Já vi alguns sobrenomes registrados como "Simada" ou "Yamacita", mas... Na verdade seriam "Shimada" e "Yamashita", já que todo som de "si" é substituído por "shi".

  • TU
    Não existe "tu" em japonês. Em seu lugar, "tsu", como em "tsunami".
  • V
    Sabe-se lá por quê, mas a letra V não foi adotada pelos japoneses. Portanto o seu som só aparece em palavras estrangeiras, como em "V for Vendetta", por exemplo.


Acho que está bom pra um post, né? Mais conteúdo relacionado a seguir!



segunda-feira, 2 de março de 2009

Intermediário - "Putz!"

Gostaria de inaugurar esta sessão destinada a estudantes intermediários, que embora não dominem o idioma completamente, já conseguem entender bastante coisa!

Como devem ter percebido, pretendo intercalar os tópicos pra não ficar muito focado em uma coisa só! :)

Bom, vamos ao que interessa:

男 あっ、ヤバイ!
女 どうしたの?
男 
DVD(かえ)の忘れた!
女 
うそ、また? じられない!
男 だって、今日(きょう)一日中(はたら)いただろう?
女 
それはそうだけど、、、。

OK, vamos analisar este simples diálogo que se encaixaria perfeitamente entre um casal de jovens!
  • ヤバイ é uma gíria usada com muita frequência. Originalmente tem o significado de perigoso, mas neste contexto funciona como nosso "Putz!" :P
  • うそ, literalmente, é mentira. Mas neste diálogo, indica surpresa, como dizemos "Ah é?!"
  • em (かえ)すの忘(わす)れた, a partícula está omitida. Como se trata de um diálogo extremamente informal, ela é facultativa. A estrutura verbo no infinitivo + + れる é muito útil, pois pode ser utilizada com praticamente qualquer verbo. Por exemplo, ()の(を)忘れた, ou 勉強(べんきょう)するの忘れた (tá, ninguém se esquece de estudar...).
  • (しん)じられない é a conjugação ない do verbo じるじます: acreditar.
  • だって, se usa no início de uma justificativa. Há outro uso, mas no caso tem o sentido de "É que...", uma versão coloquial de "afinal".
  • 一日中(いちにちじゅう) quer dizer o dia inteiro. Assim como 一ヵ月中 quer dizer o mês inteiro e 一年中 o ano inteiro, e assim por diante.
  • だろう? é diferente de だろう sem o ponto de interrogação. Em ambos os casos, é uma palavra bem masculina. Aqui, funciona mais ou menos como o famoso Question Tag em inglês: "I worked, didn't I?"
  • そうだけど, de maneira bem simples: "é verdade".

Traduzindo...

Ele: Putz!
Ela: O que houve?
Ele: Esqueci de devolver os DVDs!
Ela: O que, de novo? Não acredito!
Ele: É que eu trabalhei o dia inteiro, não trabalhei?
Ela: É, isso é verdade, mas...

Pronúncias, parte III - Iniciantes

Falamos anteriormente um pouco a respeito da romanização, mas afinal... Quando que ela é de fato usada?

Hm... a princípio para fins didáticos mesmo. Naturalmente, no Japão existem inúmeros banners e outdoors exibindo o logotipo de marcas locais transcritas ao alfabeto romano, assim como o nome e sobrenome das pessoas, quando publicados no ocidente! Mas fora estes casos é difícil a romanização ter alguma aplicação.

Tá, agora partindo para o Hiragana, Katakana e Kanji, sugiro que você usufrua da praticidade da internet (mais exatamente da Wikipédia) , para informações mais aprofundadas.

Aqui vai um ultra resumo:

Hiragana (lembrando: /hi.ra.ga.'na/) é a base do idioma. Todas palavras podem ser escritas com ele. É ensinado a partir da 1ª série do primário (que vai até a 6ª série).
Ex: あ、も、し、な、ん、づ


Katakana (/ka.ta.ka'na/) foi criado unicamente para palavras escrever estrangeiras, que invadiram o Japão na era Heian (794 a 1185). Parece haver uma certa dificuldade para decorá-los, provavelmente por não ser usado com tanta frequência!
Ex: ア、モ、シ、ナ、ン、ヅ


Kanji (/kan.'ji/) são os famosos ideogramas originários da China. São facilmente identificados por sua complexidade, embora muitos sejam bem simples. Utilidade? A principal é de atribuir sentido às palavras, visto que são símbolos que substituem os hiragana. Assim, adquirem a função de compactar um texto, o que é muito útil, por exemplo, na exibição de manchetes na TV.
Ex: 水、犬、食、愛、厳、憂鬱


Ufa, mais a respeito deles no próximo post!

:)

Pré-Intermediário - 6 palavras iniciadas com ど

Gostaria de iniciar algo voltado para aqueles que já estudaram um pouquinho de nihongo. Pretendo abrangir todos os níveis, e este é o intermediário.

Bom, aqui vai:

Saber fazer perguntas pode ser questão de vida ou morte.

Felizmente nem sempre essa hipérbole se aplica ao cotidiano, mas algumas vezes ela pode se aproximar a isto. Portanto, aqui seguem 6 palavras começadas com ど, todas essenciais na elaboração de perguntas:

  • どこ
    Ex: すみません、トイレはどこですか。
    Por favor, onde fica o banheiro?

  • どう
    Ex: これ、どうつかいますか。
    Como se usa isto?

  • どれ
    Ex: どれがわたしのですか。
    Qual é o meu?

  • どの
    Ex: どのビールがすきですか。
    De qual cerveja você gosta?

  • どうして
    Ex: どうしてあしたこないですか。
    Por que você não vem amanhã?

  • どんな 
    Ex: どんなばんぐみがすきですか。
    De que tipo de programa de TV você gosta? 


Existe também uma variação de どう:

  • どうやって
    Ex: どうやってかえりましょうか。
    Como (com qual meio) vamos embora?


Lembrando que a diferença entre どれ e どの é:

  • após どれ sempre vem uma partícula, e

  • após どの, sempre um substantivo!

domingo, 1 de março de 2009

Kanten (観点、かんてん)- Ponto de vista - Comportamento, parte 1

Inaugurando a categoria Kanten (ponto de vista), em que pretendo discorrer sobre aspectos culturais, gostaria de citar um fato corriqueiro no supermercado.

Vejamos: você chega ao supermercado, pega um carrinho na entrada e começa a selecionar os produtos. Após algumas voltas, verifica se não esqueceu nada, dirige-se ao caixa, faz o pagamento, pega as mercadorias já empacotadas, coloca-as de volta ao carrinho, vai até o seu carro, abre o porta-malas e lá organiza suas compras.

Até aí é meio padrão, não? Nada de anormal.

Mas... e depois?

Existem duas opções: ou você deixa o carrinho ali perto mesmo, bem na frente do carro estacionado ao lado, ou o leva até o local onde ficam organizados, geralmente na entrada do mercado.

...certo?

Bom, eu particularmente cresci no Japão acreditando que era mais do que óbvio optar pela segunda alternativa, mas infelizmente esta lógica não se aplica ao Brasil...

Mas por quê?

Não acho difícil empurrar o carrinho vazio do lugar onde deixei meu carro até a entrada do mercado, afinal são o que, 50, 100 metros? Que sejam 200! Comparando com a distância que empurrei dentro do mercado (cheio de coisas dentro!) , não é nada.

Pelo jeito, o pensamento que prevalece é o famoso "todo mundo faz mesmo...", sem se importar com o dono do carro ao lado que terá o trabalho de afastar um ou mais carrinhos pra poder sair (sem contar que este, por sua vez, só de raiva acabará fazendo a mesma coisa).

Na última vez que fui ao supermercado, quando ia guardar o carrinho de volta, me deparei com um funcionário cuja função era apenas esta: coletar e guardar carrinhos.

Ah, ótimo! O individualismo brasileiro gerando emprego! Então é melhor que continuemos assim, pois graças a isto temos um desempregado a menos!

...será?

Acho que vale a pena refletir!